Depois de realizada a primeira etapa do meu projeto com as minhas duas turmas de 2ª série, percebi a necessidade de aprofundar-me em duas questões:
- Como preservar a sala reformada?
- E que mudanças às turmas tiveram do novo ambiente?
Conversei muito com a Íris e a colega Bia Guterres, e ambas questionavam-me sobre a necessidade do trabalho acerca da autonomia moral, segundo Piaget. Procurei então algumas referências sobre o assunto, mas tive certa dificuldade em encontrá-las. Decidi por usar o que achei e procurar mais, dando continuidade ao meu trabalho no próximo semestre, pois talvez lá encontre as respostas para minhas indagações recém iniciadas.
O desenvolvimento moral segundo Piaget, se dá através das seguintes fases:
· Anomia: é a primeira fase, a fase pré-moral, natural da criança pequena, egocêntrica, onde as necessidades básicas determinam as normas de conduta e as atividades motoras são centradas na própria criança. O indivíduo joga com ele mesmo.
· Heteronomia: nessa fase a criança começa a perceber o outro, e perceberer que a verdade e a decisão estão centradas no outro, partem do outro, no caso um adulto, a regra é exterior ao indivíduo. Há apenas o respeito à autoridade. Não há consciência, nem reflexão, apenas obediência.
· Autonomia: aqui o indivíduo adquire a consciência moral, possui princípios éticos e morais. “Ser significa estar apto a cooperativamente construir o sistema de regras morais e operatórias necessárias à manutenção de relações permeadas pelo respeito mútuo.”
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ANOMIA
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HETERONOMIA
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AUTONOMIA
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A: negação
NOMIA: regra, lei.
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A lei, a regra vem do exterior, do outro.
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Capacidade de governar a si mesmo
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Para Piaget um dos principais objetivos da educação é a busca constante da construção da autonomia. Logo, as experiências escolares deveriam ser estruturadas na colaboração, cooperação e intercâmbio de pontos de vista, na caminhada conjunta para o conhecimento. Elecaracterizava "Autonomia como a capacidade de coordenação de diferentes perspectivas sociais com o pressuposto do respeito recíproco". (Kesselring T. Jean Piaget. Petrópolis: Vozes, 1993:173-189). A autonomia intelectual, só é possível acrescida da autonomia moral, é necessário o respeito por si próprio e reconhecimento do outro como um indivíduo semelhante, com suas particularidades, mas que tem por fim os mesmos anseios, problemas, defeitos, medos, carências, enfim, um ser humano.
Durante a nossa jornada rumo à reforma da sala, as decisões foram tomadas coletivamente, fomos decidindo com a sala ficaria melhor, pais, alunos e professora, escolheram a melhor distribuição dos pisos, a cor da sala, sua organização, e penso que isso contribuiu muito para que cada um “tomasse posse” da nossa sala de aula. Lendo os textos sobre autonomia, li essa colocação que tem muito a ver com a relação que estabeleci com os meus alunos e seus pais:
"Na medida em que os indivíduos decidem com igualdade, objetivamente ou subjetivamente, pouco importa, as pressões que exercem uns sobre os outros se tornam colaterais. E as intervenções da razão, que Bovet tão justamente observou, para explicar a autonomia adquirida pela moral, dependem, precisamente, dessa cooperação progressiva. De fato, nossos estudos têm mostrado que as normas racionais e, em particular, essa norma tão importante que é a reciprocidade, não podem se desenvolver senão na e pela cooperação. A razão tem necessidade da cooperação na medida em que ser racional consiste em 'se' situar para submeter o individual ao universal. O respeito mútuo aparece, portanto, como condição necessária da autonomia, sobre o seu duplo aspecto intelectual e moral. Do ponto de vista intelectual, liberta a criança das opiniões impostas, em proveito da coerência interna e do controle recíproco. Do ponto de vista moral, substitui as normas da autoridade pela norma imanente à própria ação e à própria consciência, que é a reciprocidade na simpatia." (Piaget, 1977:94). (PIAGET, Jean. O julgamento moral na criança. Editora Mestre Jou. São Paulo, 1977).
Mesmo sem saber já estava desenvolvendo a autonomia moral com meus alunos, até porque é desse jeito que sempre trabalhei e que sei trabalhar.
Os PCN’s também contemplam a autonomia moral, lendo um texto de Wilson Correa, encontrei essa passagem:
“Em suma, a reflexão sobre as diversas faces das condutas humanas deve fazer parte dos objetivos maiores da escola comprometida com a formação para a cidadania. Partindo da perspectiva, o tema Ética traz a proposta de que a escola realize um trabalho que possibilite o desenvolvimento da autonomia moral, condição para a reflexão ética” (MEC, 1997, p. 31-32).
Outra teórica que guiou meus estudos foi Constance Kamii, uma seguidora de Piaget, através de seus escritos ficou bem claro que as crianças adquirem valores morais não por absorvê-los ou apenas internaliza-los, mas por construí-los interiormente, através da sua interação com o convívio nos grupos sociais. Para ela o indivíduo autônomo é aquele governado por ele mesmo, sempre tendo em mente a sua liberdade e a forma como deve usá-la, respeitando o outro e desenvolvendo a sua moralidade, através da observação do outro e do ponto de vista dele.
Segundo Kamii:
"A essência da autonomia é que as crianças se tornam capazes de tomar decisões por elas mesmas. Autonomia não é a mesma coisa que liberdade completa. Autonomia significa ser capaz de considerar os fatores relevantes para decidir qual deve ser o melhor caminho da ação. Não pode haver moralidade quando alguém considera somente o seu ponto de vista. Se também consideramos o ponto de vista das outras pessoas, veremos que não somos livres para mentir, quebrar promessas ou agir irrefletidamente". (A criança e o número. Campinas: Papirus).
Minhas leituras possibilitaram rever algumas posturas, dar-me conta de que estou indo pelo caminho certo, mas que certamente ainda tenho muito oque aprender e muito oque acrescentar a minha prática. Continuarei lendo sobre esses autores, principalmente a Constance Kamii, gostei da leitura, simples, prazerosa, um jeito gostoso e prático de escrever. As utilizarei com as minhas turmas e no próximo semestre darei seguimento a esses estudos.
Referências:
http://www.centrorefeducacional.com.br/piaget.html
http://www.pedagogiaespirita.org/escolavirtual/modulo_2/piaget5.htm
CORREA, Wilson. (2003) Currículo sem fronteiras
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